quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Marcelino......Marronzinho do Bem!
Seis e meia da manhã. Radial Leste, trânsito andando, porém, pesado. Ufa! Conseguimos. Enfim, Avenida 23 de Maio - livre, certo? Não! Errado! Pesado da mesma forma, simplesmente 5 pistas largas e velocidade permitida de 80 km/h. Força, fé, coragem e pé na tábua. Iá-ba-dá- bá-dúúúú......lá vamos nóóóóssss!!! Fiz uma pequena adaptação dos Flinstones com Os Impossíveis: Multi Homem, Homem Fluído e Homem Mola. Tudo ia bem, não fosse o estouro e a desgovernada do carro. Segura firme, pisca-alerta ligado, mão prá fora, joga o carro todo para direita e pára. Pára mesmo! O pneu estourou! Desce, olha, procura, coloca o triângulo, meio capenga, meio torto. Tão tonto, quanto nós dois. Mal dá tempo de fazer uma oração, invocando Deus e todos os santos, para que não aparecesse nenhum policial, nenhum carro da CET, ninguém! Não adiantou, lá vem ele! Todo prestativo no seu uniformezinho marronzinho. Parecia mais um pacotinho de 500g de chocolate andante. Mal nos aproximamos, prontos a entregar a chave e dizer:-"Leva!" O carro é seu! mas por favor não me peça os documentos, muito menos nossa carta de habilitação. Estamos te polpando de todos os desgastes, leva e não enche o saco. Entro no carro, pego a bolsa, respiro fundo e volto. Lá estava ele, já em ação. Carro parada de forma estratégica, sinalizando problemas na pista, cone imenso, profissional, cheio de si, colocado a uma distância segura, ignorando meu triângulo e colocando-o no seu devido lugar: na caixinha. Queria ser aquele triângulo, ia ficar bem quietinha. Mais do que depressa, olhei o seu crachá e li:- Marcelino. Pronto! Bastou! Já éramos amissíssimos, na minha concepção, claro! Abro o porta-malas, desobstruo o caminho, tiro coisas, coloco no banco de trás, pego o macaco e passo para ele. Agora já estava agachada, junto dele- passando chave de roda e segurando os parafusos. Pergunto:-"Marcelino, pode tirar o estepe ?" - "Pode sim, por favor." Levanto, vou até o porta-malas, tiro o carpete e começo a desparafusar o pneu reserva. Meu Deus! Nem o estepe escapa. A esta altura do campeonato, rezar não ia adiantar nada mesmo. Rezei antes, para que o marronzinho não aparecesse. Não adiantou, em menos de dez minutos já estava ali e quase terminando o que é seu trabalho: Socorrer, ajudar. Ficamos ali, parados, observando aquele homem, bastante calvo para a idade, com cara de gente boa, mas, que multa e usando aquelas botas enormes, pesadas, cheias de detalhes. Adoro botas, por isso observei. Aquela cor marron, não me agrada muito, e assim como eu, muita gente odeia, principalmente quando ficam parado nos cruzamentos com aquele bloquinho, que não se cansa de ser folheado. Parece sempre que estão no meio de uma grande ventania. Passa folhinha, passa outra, outra e outra, não para nunca. Acompanhamos o término de seu trabalho, o que não levou mais do que quinze minutos. E educadamente nos diz:- "Este pneu também precisa ser trocado, mas, dá para chegar com segurança. Vocês tiveram sorte, é muito perigoso o pneu estourar assim, em movimento. Principalmente em uma avenida como esta." Sorte tivemos nós até agora, vamos ver daqui prá frente, se continuamos assim. Marcelino devolve o macaco junto com a chave de rodas. Tudo certinho, diz ele. E ainda acrescenta:- "Vão com Deus e tenham um bom dia!" Acho que o Marcelino estava tão atento ao seu trabalho e foi tão rápido que não deu tempo nem de Deus, impedi-lo de ir ao nosso encontro. Então Ele, para compensar a demora do meu auxílio, fez com que o marronzinho Marcelino, simplesmente nos socorresse e nos deixasse ir embora em paz. A única coisa que nos pediu, foi:-"Tenham cuidado!" Meio tonta, meio anestesiada e bastante feliz, junto as mãos como se estivesse fazendo uma prece e digo a ele:-"Marcelino, muito obrigada! Eu juro, prometo à você que, nunca, nunca mais xingo vocês, nem falo mal. Eu prometo, prometo!" Acho que ele não esperava ouvir aquilo, nem eu, em dizer. Mas, saiu! Ele deu um meio tímido e belo sorriso e completou:-"Ah, não tem problema, é nosso trabalho, já estamos acostumado. Todo mundo xinga!" Ai que dó, gente! Mas eu insisti:-"Nunca, nunca mais falo mal de vocês. Prometo!" "Vai com Deus, um ótimo dia e muito, muito obrigada mesmo!" Marronzinho.
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Tan Tan, que legal o seu amigo "Marcelino Marronzinho"! Ainda há gente boa no mundo! Não percamos a esperança!
ResponderExcluirTan, passei pra me situar. Que situada, hein amiga! Por vocês, eu também prometo rezar pelo Marcelino e nunca mais xingar um "marronzinho". Afinal, não basta ser amiga....tem que participar. E ele merece! Santo Marcelino! (coragem, amiga!)
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