Hoje o que vi, me lembrou cenas do filme A Pedra Filosofal, quando Harry Potter no trem, se assusta ao abrir o pacotinho de figurinhas e as imagens fogem e Ronnie indignado pergunta se ele estava achando que elas ficariam ali, o dia todo. Sorri, igualmente feliz com a pureza e simplicidade da cena móvel real, desta manhã. Dois moradores de rua caminhavam lado a lado na calçada - um cambaleando, não sei se bêbado ainda de sono, pelo horário matutino ou por sua companheira fiel de todas as horas. O outro puxava uma grande carroça de madeira, parecendo assim, prá mim, um pouco mais aprumado. Mas, quem roubou a cena, foi o majestoso vira-lata preto. Caminhando rente a parede, ia fuçando o caminho, na esperança talvez, de algum petisco ofertado pela própria natureza digno de um, daqueles três mosqueteiros. A gola do seu moleton
estampado, rosa e azul......sim! A gola do moleton do cachorro...pendia para o lado direito, durante o movimento dançante, de suas patas dianteiras que agora faziam a vez de prováveis bracinhos infantis de "outrora". Leves e soltos. Foi assim que pularam da minha figurinha.
Saíram de cena e fixaram-se em mim, durante todo o dia. Fiquei pensando......quem?
Quem......em plena falta de tudo, na ausência constante do mínimo, vai se lembrar de colocar o moleton no cachorro, feito mãe zelosa que nunca se preocupa em pagar mico, todas as vezes que pergunta ao filho se não esqueceu de levar o agasalho, por que pode esfriar. Diante da minha descrença-revoltosa-sistemática-humanista, acabo de crer que as pessoas, o mundo, a vida é definitivamente yin yang. Talvez aquela mesma pessoa, que em outras circunstâncias me assustasse ou me ferisse, é a mesma que agora, protege e ampara. Eu, que em outras circunstâncias também, ignorasse, fechasse os vidros e os olhos, agora me desfaço em agradecida emoção pelo presente inconsciente dado e recebido de mãos limpas e corações abertos. Presenciei em menos de 30 segundos o que de mais bonito a vida pode nos dar: Amizade, companheirismo, preocupação e lealdade. Cenas do cotidiano interpretadas por artistas sem palco e sem platéia. Temos todos, papéis involuntários e inconscientes de protagonistas e espectadores, determinados apenas no exato momento do disparo do flash de alguém. Não somos 100% de nada - nem do bem, nem do mal. Fazemos parte de um contexto maior, precisamos encontrar nosso equilíbrio.
Não tenho medo de ser “politicamente incorreta”, dizendo que não sou muito “chegada a animais”. Hoje em dia, há pessoas que dão mais importância a bichos, do que as pessoas. Tenho até uma amiga cuja gata come mamão papaia todos os dias e, até pouco tempo atrás, só tomava água mineral; até que a tivéssemos alertado que água mineral para bichos poderia propiciar pedras nos rins, segundo uma reportagem que hora lemos! Até nossa constituição, libera um pessoa que matou outra por estar dirigindo bêbada, com ou sem fiança, mas determina como “crime inafiançável”, tráfico de animais silvestres, por exemplo. Realmente, o mundo está sem equilíbrio: uns chutam um cachorro até a morte, ou então o enterram vivo! Enquanto outros, vestem o bichinho com um moleton para protegê-lo! Exageros à parte, cada um cada um (também dei muita mamadeira para meus cachorrinhos quando criança), o ato em si, é lindo, compromissado somente com o bem estar do cãozinho e, talvez, com a gostosa sensação de ter feito uma boa ação! Só espero que a mesma pessoa que fez o moleton, lembre-se de carregar um saquinho para recolher as fezes do bichinho! “ Não sou 100% de nada - nem do bem, nem do mal”l; só quero ter o direito de NÃO GOSTAR de sentar num sofá onde o cachorro tem assento cativo, ou ter que “ dividir” os alimentos à mesa com o bicho, ou ser lambida......arghrrrrrrr para que “ele” me “conheça” e não me morda! Será que sou “desequilibrada” ?? rsrsrsr
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